As 7 questões que devo colocar quando procuro um lar, para um familiar?

No decurso da vida podemos ser confrontados com a ideia, de termos de procurar um outro espaço para um ente querido, viver.

Geralmente essa ideia surge quando percebemos que as necessidades quotidianas do nosso familiar, não estão a ser satisfeitas na totalidade, com os recursos disponíveis, na sua própria casa.

Se previamente, conversas sobre uma eventual institucionalização, não tiveram lugar e se o nosso familiar se encontra numa situação em que a verbalização e capacidade de escolha estejam de algum modo, diminuídas, tudo se torna mais difícil.

A ideia institucionalização assusta-nos, arrepia-nos e constrange-nos, pois acreditamos que a partir daí tudo vai ser pior para a pessoa que nos é querida…e também para nós!

Ela/ele vai ter de deixar o seu lar carregado de símbolos, experiências e histórias vividas, deixar a rua e o bairro onde sempre viveu e onde tudo lhe é tão natural e familiar.

E as pessoas que conhece?... Os rostos que identifica há décadas?...

A cara simpática da Sra. D. Rosa que, todos os dias dispensa um sonoro “bom dia” matinal a todos os passantes frente à porta da sua mercearia, a face gorda e bonacheirona do afável Sr. Martins, acolhendo os clientes habituais para o café da manhã com um elegante acenar de cabeça, tentando sempre vender, “aquela” cautela da sorte ou a raspadinha. O semblante altivo da Dra. Marisa que ao balcão da farmácia, atende a todos com um grande cuidado, ela que de forma genuína sabe das dores e maleitas de todos os moradores mais velhos do bairro e tem sempre um minuto extra para conversar e apontar soluções para minimizar as dificuldades que os seus “doentes”, como carinhosamente, apelida toda a população maior do bairro, revelam. E até a face do Sr. Pereira que do alto dos seus quase dois metros, representa o exemplar raro do sapateiro de bairro…apesar de sisudo, tem sempre um comentário relativo às notícias mais frescas do dia, carregadinho de humor e provocando sorrisos e boa disposição, aos que transitam pelas imediações da sua banca de consertos.

Enfim…a institucionalização, tira isto tudo e algo mais…realmente assusta! É a casa de uma vida que desaparece e de rompante dá lugar a outra! A um domicílio diferente. Outras instalações, novos processos, diferentes encontros com diferentes pessoas.

A ideia de institucionalização reboca quase sempre a ideia de perdas, perdas com as quais não queremos lidar.

Pese embora a implicação de perdas associadas, essa ideia pode aglutinar também, ganhos e complementaridades no processo de cuidado a dispensar ao nosso familiar.

No entanto, na pesquisa sobre o melhor espaço de cuidado, faz sentido apetrecharmo-nos com algumas perguntas-chave, uma vez que elas constituem ferramentas valiosas para recrutarmos informação.

Provavelmente já terá feito alguma pesquisa na internet e obteve resultados, como por exemplo:

- É importante definir um orçamento, considerar a localização, licenciamento, saber que atividades, especialidades e serviços são oferecidos, qual a garantia de prestação de qualidade no cuidado básico, fazer visita guiada e observar os idosos que lá vivem, captando o seu ânimo, observar a equipa de profissionais, respirar o ambiente e as instalações…obter referências de amigos… também pode ajudar, não sendo decisivo… etc, etc, etc...

Certíssimo! tudo isto é importante; muito importante mesmo, eu diria.

O que trago para vós, é um conjunto de 7 perguntas cuja resposta da instituição, nos vai ajudar efetivamente a decidir. Antes de avançar porém para as questões, avalie se:

a) Quer “pôr” o seu familiar num lar?;

ou,

b) Pretende que uma instituição de cuidado, possa contribuir, em conjunto consigo, para melhorar a qualidade de vida do seu familiar?

Se o seu objetivo é a), estas perguntas não lhe vão servir.

Se o seu propósito é b), por favor, acompanhe-as, reflita, use-as se as valorizar e se estiver disposto/a, comente as seguintes 7 questões que divulgo nos pequenos textos que dão sequência a este enquadramento inicial.

Votos de boa reflexão!

A HUMANIZAÇÃO PARA QUEM CUIDA

As 7 aprendizagens na interação com os adultos maiores – aquilo que não se aprende nos livros!

Pretendo com este conjunto de pequenas crónicas, refletir sobre algumas expressões associadas a adultos maiores. São elas: “os idosos são sabedoria”, ou a outra ainda: “quando uma pessoa mais velha morre, extingue-se em simultâneo, uma biblioteca”. 

Afinal vivemos numa sociedade que coloca à margem a sabedoria e as bibliotecas?

Afinal de que sabedoria se trata que por vezes não se especifica e detalha, antes porém, se utilizam confortavelmente os termos genéricos de saber, sabedoria, riqueza, biblioteca? 

E quando esse adulto maior:

- É anónimo e fez uma vida “normal” sem grandes obras visíveis?

- Nem aprendeu a ler ou escrever?

- Vive um envelhecimento mais duro, beliscado pelas unhas da doença?

- Não tem herança física a deixar a alguém. Ou porque não tem herança, ou porque não tem alguém?

...E…poderia colocar muitas outras questões que nos levam à questão central:

Afinal que sabedoria é esta que os mais velhos nos podem ensinar sem nos quererem doutrinar? Afinal que legado nos podem deixar sem que haja qualquer herança a partilhar? 

É sobre os deliciosos meandros dos termos genéricos de saber e sabedoria dos mais velhos que pretendo navegar aqui em conjunto convosco

Nos seguintes textos, alguns também falados, outros talvez filmados, conto o que penso que se aprende no encontro com os adultos maiores, independentemente da sua condição literária, cognitiva, intelectual e outros tantos talentos…aquele saber que não vem nos livros. Saber que decorre da simples experiência de viver com eles, interações plenas e refletidas. 

Ao contrário dos 7 pecados e virtudes da comunicação com o senior que vive vulnerabilidade https://www.metis-desenvolvimento.pt/blog-opiniao e que é dedicado a quem cuida, As 7 aprendizagens na interação com os adultos maiores são reflexões dedicadas a quem interage com os seniors.

Se se interessa por aprender sobre emoções e formas conscientes de as regular, estas crónicas podem ser para si! 

Os 7 pecados e virtudes da comunicação com o idoso em vulnerabilidade (que vive em dependência)

Pretendo com este conjunto de pequenas crónicas, abordar aquilo que me parece crítico quando cuidamos de um dos nossos mais velhos que se encontra em dependência. 

O título de pecados em nada se relaciona com o catolicismo e com uma lista de atributos do cuidador que ao serem cumpridos ou não, os aproxima ou não de deus. Com pecados e virtudes, refiro-me a qualidades que podem ser desenvolvidas de forma fina e apurada ao longo do nosso tempo de cuidar. Poderemos nunca ser perfeitos, pois a perfeição é fim, é feito, significa: Já está. 

Mas qualquer um de nós reconhece que na comunicação com a pessoa idosa dependente, pode ser facilmente uma interação empática, sem resistências, em que a confiança se aprofunda e consequentemente a saúde de ambos os lados da interação é promovida e o ato de cuidar exerce-se sem tensões.

Por outras vezes, a nossa comunicação, resulta exatamente no oposto, difícil empatia, quebra de confiança, stress e dificuldades nas práticas do cuidado. 

Não temos de nos penitenciar por errar, mas podemos acreditar que para cada resistência que é também resultante da nossa forma de comunicar e interagir, poderemos melhorar, desenvolver novas formas de abordagem à pessoa que cuidamos.

Por isso, não sendo nunca perfeitos, seremos todos perfectíveis! Para tal, basta estar atento e consciente à nossa comunicação e ao resultado desta no nosso exercício de cuidar e viver numa humildade sensível que nos diz: Poderei interagir de forma mais humanizada com o adulto maior que vive a dependência.

Se interage com pessoas maiores em vulnerabilidade e tem interesse no tema da comunicação, este blog é para si. Nos próximos dias, terá a minha abordagem a cada pecado/vício e a sua contraparte, virtude/habilidade. 

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