Humor, uma possível estratégia de comunicação...

Atualizado: Jun 22

O humor como estratégia de comunicação com pessoas em vulnerabilidade?

Sabemos que o humor tem o potencial enorme de dissipar barreiras na comunicação e facilitar/agilizar a alteração de comportamentos. É, no entanto, importante, diferenciar bem aquilo que é o humor, daquilo que é o sarcasmo e a ironia.

É necessário também, perceber como e quando emerge o humor e identificar o peso que este pode ter no desenvolvimento de uma relação feliz que se pretende prolongada. É este o objetivo do estudo que referencio hoje, focalizando-se no contexto de consultas de diabetes.


Como estudaram os autores, o humor?

Os autores gravaram 50 consultas de diabetes e realizaram entrevistas. Aplicaram metodologias da linguística para proceder à recolha e tratamento dos dados. Foram envolvidos os profissionais de saúde e pessoas com diabetes.


A maior motivação para a implementação deste projeto foi o reconhecimento:

Da importância da comunicação entre a pessoa com doença e o profissional de saúde. Na comunicação, reside parte da influência na satisfação, adesão às terapêuticas e resultados na saúde do doente;


Do humor, como estratégia de comunicação relevante para os doentes e profissionais de saúde. O humor apresenta uma natureza versátil e plurifuncional podendo até ser utilizado, na comunicação de mensagens difíceis;


Da falta de estudos experimentais no âmbito da investigação do humor, com metodologias de registo e análise de dados confiáveis;


De diversas definições de humor. Os autores enquadram-no, como sendo uma estratégia de comunicação que pode ser utilizada de forma consciente ou inconsciente, para criar momentos divertidos ou disfarçar mensagens difíceis através de expressões faciais divertidas;


Que a diversão é uma característica importante do humor, nem sempre representando, a sua finalidade;


Que a expressão facial positiva serve o propósito de se ser mais facilmente gostado pelo outro e obter assim, aprovação. A expressão facial negativa, representa o desejo de não ser obstaculizado pelos outros. O humor satisfaz tanto o desejo de agradar como o de evitar, não sendo portanto uma estratégia de comunicação amável e cordial;


Que as consultas de diabetes, envolvem potencialmente, muitas expressões faciais negativas devidas à falta do cumprimento do plano terapêutico prescrito por parte do doente. Gera desconforto, frustração na assunção do erro. Os profissionais de saúde, queixam-se desta falta de adesão.


Sugestões do estudo – afinal quando e para quê é utilizado o humor? Cuidados a ter:

Doentes

i) comunicar mensagens difíceis; ii) são os doentes, normalmente, a iniciar o humor; iii) para construir a relação e criar uma atmosfera descontraída de troca mútua; iv) é necessário que os doentes percebam que os profissionais de saúde podem perder informação relevante se aqueles utilizam uma comunicação mais indireta através do humor


Profissionais de saúde

i) devem estar atentos ao uso do humor por parte da pessoa com diabetes, captando a mensagem crítica subjacente e endereçando-a, não perdendo a oportunidade de abordar tópico de conversação relevante; ii ) os profissionais de saúde podem demonstrar que entenderam a intenção do humor, sorrindo de volta ou retorquindo com um comentário humorístico (no artigo, relatam-se exemplos onde a resistência do utente aumentou por terem sido perdidas, oportunidades de feedback). Na medida, acrescento eu…o humor faz parte de uma cultura humanizada de cuidados!


Palavras chave: humor, cuidado, comunicação centrada na pessoa, diabetes, consulta, comunicação humanizada, profissionais de saúde, cuidadores, doentes com diabetes


Schöpf A.C., Gillian S. M., Keating M.A. (2015) Humor as a Communication Strategy in Provider–Patient Communication in a Chronic Care Setting. Qualitative Health Research 27(3): 374-390. doi: https://doi.org/10.1177/1049732315620773



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