Pecado de “não me cuidar” / virtude do “auto-cuidado”

Atualizado: Mai 26


A designação de emoções positivas e negativas é comum. Não só na literatura científica como na nossa linguagem corrente.


Também atualmente, há como que a tentativa de excluir as emoções ditas negativas, das vidas individuais e de coletivos. Uma pessoa, cujo conteúdo emocional se manifeste como negativo, vai ser olhada de lado, ou na equipa que integra, ou no círculo que habita. Há inclusive, conselhos de gurus, referindo que é de se fugir das pessoas com emoções negativas. Devemos antes, rodear-nos de pessoas que sorriem constantemente, sempre ativas, bem-dispostas…pessoas tão leves que as palavras compromisso, responsabilidade e ética se tornam âncoras bem pesadas de carregar.


Feita esta introdução, honro todas as pessoas que cuidam de adultos mais velhos em vulnerabilidade. Honro cada tristeza, frustração, exaustão, eventual raiva, insatisfação, vividas por parte de alguns cuidadores…tristeza porque vivem a dor do outro, frustração de não conseguirem alterar a situação, exaustão porque por mais que façam, esbarram com barreiras, eventual raiva quando a implosão contida se transforma em explosão…enfim, honro aqueles que não escondem estes conteúdos emocionais. Honro quem os identifica como sinais de alerta, e os pretende abraçar. Honro os cuidadores que não os escondendo nem deles fugindo, procuram fazer deles a fonte criativa do seu autocuidado. Não fugindo, agarram parte da responsabilidade que têm no encontro do seu próprio bem-estar. Não fugindo, firmam-se a um compromisso diário de recarregar as suas próprias energias através de atividades que são fontes de saúde e vitalidade. Cumprem o desígnio ético de que para cuidar de alguém dependente, precisam de se cuidar.


Portanto, são pessoas que sabem que pessoas inteiras vivem emoções positivas e negativas. Sabem que ambas são importantes em ser vividas, pois cada uma das emoções em experiência, tem um vocabulário próprio que nos diz para AGIR. Só precisamos de perceber um pouco melhor esse vocabulário e usufruir dele para AGIR também sobre o bem-estar do próprio cuidador, de forma responsável, comprometida e ética.


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