Pecado do “resultado” / virtude do “processo”

Atualizado: Mai 26


Os resultados comandam um pouco a nossa vida. Se esta é veloz, agudiza-se o fenómeno. E este fenómeno da autoridade do resultado versus o processo, comanda as nossas vidas e também a de quem cuida e por consequência a de quem é alvo de cuidado.


Mas primeiro vamos a alguns títulos que demonstram o que gostava de vos transmitir. Alguns, ensinam-nos a ser feliz em 21 dias, outros, a fazer amigos em 4, outros ainda em criar boas relações em 7, viver emoções positivas em 30…acabar relações tóxicas de um dia para o outro…enfim. Se não conseguirmos nada daquilo em 21, 4, 7, 30, de um dia para o outro, então, sentimos que não somos bons o suficiente. Todavia, é o resultado que nos chama. A pressa. O não tenho tempo. Se os mesmos referissem que aprendemos todos aqueles temas e muitos mais, ao longo de uma vida, cujos processos de consciência e atenção estão na sua base, provavelmente, não seriam tão apelativos.


É obvio que um bom cuidado tem indicadores de resultados, bem definidos. Conseguimos observar se um idoso acamado por tempos, tem ou não úlceras de pressão. Observamos se a higiene bocal é regular ou não. Percebemos que a perda de peso está a ser mais acelerada ou não do que seria previsto para a sua condição de saúde. Quedas! Podemos quantificar as quedas…poderia referir muitos mais. Há, todavia, indicadores que acredito não estarem tão bem definidos e que revelam a qualidade do processo da relação do cuidado. E embora o início de uma relação florescente possa ser estabelecido em instantes é o processo de a continuar a alimentar que a faz bem conseguida. Com ganhos de saúde para o cuidador e para a pessoa idosa que depende do seu cuidado. No envelhecimento que é acompanhado por dependências profundas e que necessitam do cuidado crónico, não há relações que se façam num dia e já está. É um processo continuado em que a paciência só existe se houver competência no processo de cuidar. A paciência é uma competência que se desenvolve em relação direta com o desenvolvimento de competências de saber.


Para quem não sabe, faltará sempre a paciência. E é esta, mais uma viagem profunda de qualquer cuidador que anseia por saber mais, sem fazer “shortcuts”.


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