Que exercício físico fazer, para moldar positivamente o nosso cérebro?

Atualizado: Jun 17

Aprender novos movimentos físicos e a plasticidade neuronal: Há ligação?

É sabido que o exercício físico aeróbico, induz modificações positivas na densidade da matéria cinzenta (GMD), especialmente no hipocampo (estrutura neuronal com papel fundamental na consolidação da memória de curto para longo prazo, bem como, memória espacial) e córtex cingulado anterior (estrutura neuronal com papel importante em diversas funções, entre as quais: alocação da atenção, tomada de decisão, habilidade para detetar erros, comportamento moral e regulação emocional etc…).

É sabido que os exercícios aeróbicos induzem aquelas modificações neuroplásticas positivas e estudos recentes, apontam para a importância adicional da aprendizagem de novos movimentos físicos no decurso de uma atividade.

Neste estudo, os autores apresentam uma sugestão teórica: a expansão do repertório motor (números de movimentos passiveis de serem executados e competências motoras) nos indivíduos, é em si mesmo, um mecanismo facilitador da neuroplasticidade, incrementando a GMD.


Importância da GMD:

- A sua perda, está associada a declínios cognitivos relacionados com o envelhecimento, demências e progressão das doenças de Alzheimer e Parkinson;


- Incrementar ou manter a GMD no decurso da idade adulta e em idades mais avançadas, parece ser essencial para prevenir o surgimento de algumas doenças;


- O seu incremento encontra-se também associado ao desempenho académico, cálculo, memória de longo prazo, competências musicais, elevados níveis de desempenho desportivo e elevados níveis de atividade física.


2 dos mecanismos que induzem o incremento da GMD relacionados com atividade física:

- Exercícios aeróbicos com intensidade e atividades físicas que integrem a aprendizagem de novos movimentos, sugerindo os autores que esta última é bem mais eficaz em termos de indução neuroplástica que a execução de ciclos de movimentos repetitivos.


Consequências para a saúde:

- Participar em programas regulares de exercícios físicos que integrem a aprendizagem de novos movimentos e prática dos mesmos, até um domínio maior, poderá constituir uma abordagem atenuante da perda de GMD relacionada com a idade ou outras condições de saúde como o Parkinson e Alzheimer;


- A neuroplasticidade pode ser verificada (com técnicas adequadas), logo ao fim de sete de dias de treino a aprender um movimento motor novo e complexo.


De que forma?

Para quem nunca dançou ou para quem dança, os autores destacam esta atividade, como uma das que integra essa componente de riqueza motora e de aprendizagem sucessiva de novos movimentos.


Palavras chave: neuroplasticidade, aprendizagem motora, controlo motor, forma física, mecanismos neuro plásticos


Marcori A. J., Okazaki V.H.(2019) Motor repertoire and gray matter plasticity: Is there a link?. Medical Hypotheses 130: 10926. Doi: https://doi.org/10.1016/j.mehy.2019.109261


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